agosto 2008


 É  cada vez mais comum ouvir nos grandes centros urbanos que a área verde está diminuindo. No entanto, cabe entender, a princípio, o conceito de fato.

Área verde urbana é toda aquela em que há predomínio da vegetação arbórea. Estão, obrigatoriamente, inseridas na cidade. Praças, jardins e parques são alguns exemplos. Espaço livre, entretanto,  tem diferente significação. Abrange um maior número de locais, pois a vegetação em questão, está situada em grandes espaços parcialmente ou integralmente implantados nos centros urbanos.

São Paulo apresenta 248.209,426 m2, deste apenas 45.258.909 m2 correspondem as áreas verdes. São 34 parques, 2785 praças e 710 áreas jardinadas. (Dados: www.prefeitura.sp.gov.br).

Apesar disso, ainda conhecemos apenas o Parque Ibirapuera, Villa Lobos, Aclimação. As praças, muitas vezes, são lugares invisíveis, que passam desapercebidos. Os canteiros, que são 759 na cidade, encontram-se em condições precárias, abandonados.

A preservação e a manutenção do espaço livre não depende só do governo, parte dele a utilização de verbas para a melhoria destas áreas. No entanto, a população é a principal responsável por elas. Não cabe apenas um cuidado da prefeitura se as pessoas não ajudarem a cuidar e continuarem com os mesmo hábitos antiverdes. Conscientização vem, primeiramente, da família e da escola, depois o governo. Não quero aqui tirar a responsabilidades dos governantes não, mas quero alertar que não são os únicos agentes com ação em uma sociedade.

LEIA o texto escrito por Humberto Maia Junior, colaborador do Estado de S. Paulo, a respeito dos impactos nas áreas verdes causados pela urbanização crescente nas cidades. Link:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071214/not

Um Abraço – Bruno García

Carros enquadram mundo arte ou morte espetacularizada. Cultive seu olhar

Entre Cayennes, Ferraris, Lamborghinis, BMWs, Mercedes e outros veículos de mesmo calibre que costumam trafegar na zona sul de São Paulo, vi, hoje, uma Belina branca.

Foi tão rápido: olhei antes de atravessar a rua e lá vinha ela, sozinha, pelo o túnel, que me pareceu o túnel do tempo. A nostalgia foi irrefreável. Não de toda a infância, mas de um capítulo especial dela.

Versão, ano. Não sei. Para mim, só uma é classificável: Belina branca, um pai na frente, uma irmã e dois primos atrás, verão de 1980.

Desse veículo, vi o mar pela primeira vez. Éramos quatro no porta-malas, rindo e acenando para os ocupantes de outros carros. Nos loucos anos 1980, andávamos de carro sem cintos de segurança, macaqueando de um lado a outro.

Foi na descida da serra que o milagre acontece. “Olha!”, alguém ou todos gritaram. Era ele. Uma piscina sem bordas vertendo azul pelo insondável.

O espanto nos silenciara. Só a criança e os iogues, para quem o passado deixou de ser e o futuro é ficção, podem sorver todo presente, antes que ele escorra pela ampulheta da inexistência.

Nessa Belina – à noite – eu, sozinha atrás, me esparramava no banco. As constelações cabiam na tela do vidro e a lua, acelerando junto. Apesar de proibido, quem nunca fez isso deve, em lugar seguro e ao menos uma vez, fazê-lo. Deitar-se no banco e assistir. A vida revela o ritmo que tem: tudo passa, passa, passa, deixando em memória fragmentos de imagens escorridas no tempo. Foto borrada de lágrima ou mofo.

Não provoque

Provocação era fechar os olhos para a eterna novidade do mundo, como diz Caeiro. “Porque pensar é não compreender…/ O mundo não se fez para pensarmos nele/(Pensar é estar doente dos olhos)/ Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…”.

Em pouco mais de duas décadas, as janelas do carro continuam, cada vez mais, intermediando nosso olhar para fora. Aprendizado difícil, antinarcísico, mas compensador. Ainda há natureza escondida atrás dos prédios; a cada dois dias, é descoberta no Brasil uma nova espécie de flor; o sol nasce e se põe em repetida novidade, o vento venta e a gente sente (não pensa) revelações da geografia interior.

A provocação hoje não é fechar os olhos, mas ver que coisas existem para além de nós e acreditar que esse algo se interpõe entre nós e a perfeição. Na rua, na avenida, na vida. Porque ver o outro, ou o mundo de que participamos, desperta o desejo de imediatamente querer aniquilá-lo. Vide armas no porta-luvas, mãos para o soco, palavras intérpretes da agressão. Vide, todos os dias, mortes no trânsito espetacularizadas pela mídia.

Como os carros, blindam-se corações. O preço é alto, tanto no primeiro como no segundo caso. Se você já blindou o seu, sabe do que estou falando: nada entra, nada sai. É o mesmo que estar morto. E, assim, é possível entender por que, por nada, agride-se ou se atira em um vizinho de pista.

Saudosa Belina

O Ford Belina começou a ser comercializado em 1970, com motor de 1289 cm3 de 65 cavalos e em três versões: standard, luxo e luxo especial.

As características mecânicas eram as mesmas do Corcel, isto é, tração dianteira e radiador selado. Podia atingir 140 km/h e chegava 100 km/h em 23 segundos.
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Mirna Bom Sucesso