Quando a cidade de São Paulo é pautada, os temas mais recorrentes são o trânsito, as cenas de violência e o universo dos negócios, ou seja, os problemas que mais afetam as classes média e alta da metrópole. No entanto, pouco se fala das cenas de exclusão que presenciamos cotidianamente. Seja com o mendigo da esquina, com as crianças trabalhando nos faróis ou com os carroceiros.

É difícil olhar para os indivíduos miseráveis, fruto da desigual sociedade na qual vivemos e, neste sentido, optamos por negar sua existência. Fechamos os vidros dos veículos e seguimos nossa rotina, isso quando não oferecemos algumas moedas aos pedintes na tentativa vã de ajudá-los a diminuir seus problemas.

Sentimo-nos de mãos atadas e culpados pelo que vemos pois, no fundo, sabemos que esta é a lógica do capitalismo e que para que os ricos e a economia se sustentem, sempre haverá pobres e famintos. É o chamado “colchão de sustentação” capitalista.

 

Ônibus 174

Acredito que foi com o objetivo de esclarecer essa situação que o diretor José Padilha (o mesmo de Tropa de Elite) resolveu produzir o documentário “Ônibus 174”, no qual busca resgatar as diferentes e profundas causas que levaram Sandro do Nascimento a seqüestrar o veículo e manter vítimas sob a mira de um revólver por cerca de 4 horas, tendo assassinado uma delas.

A triste e comum história de Sandro foi marcada por presenciar o esfaqueamento de sua mãe, quando tinha apenas seis anos. Durante sua adolescência, já morador de rua, o jovem também foi vítima da Chacina da Candelária.

 

O objetivo aqui não é o de justificar os atos de violência cometidos, mas sim de provar que a situação que vivenciamos hoje é fruto de sementes de indiferença e desigualdade com relação aos excluídos, plantadas pela sociedade brasileira por muito tempo.

E a violência só passou a ser vista realmente como um problema quando alcançou as classes privilegiadas da sociedade. A tragédia de ver dezenas de pessoas mortas na periferia não chega aos pés daquela proporcionada pelo assassinato de um rico.

 

Os atos violentos que presenciamos quase que diariamente não são nada mais do que um grito em busca de atenção daqueles que se calaram e que viveram esquecidos e marginalizados por tanto tempo. Até quando essa situação se sustentará?

 

Bruno Garcia

Sete da manhã. Estou dirigindo e paro no farol, a caminho da empresa. Ao meu lado, pessoas dormindo. Vejo suas casas e observo seu sono. Elas moram nas ruas, mais especificamente embaixo de um viaduto.

Fico imaginando como é não ter um teto e, desta maneira, ter de partilhar momentos íntimos com uma multidão, que por aqui passa cotidianamente.

Não ter liberdade para se despir ou se relacionar e nem ter TV como passatempo. Não poder fechar as janelas para evitar a claridade de um novo dia que chega e nem ter onde se abrigar em dias chuvosos. Acordar e dar de cara com um mundo que já amanheceu e que segue para cumprir mais um dia de suas atividades rotineiras.

Durante os poucos minutos em que o farol está vermelho, os meus olhos devoram a cena que vejo pela janela. É tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe.

Vejo a desigualdade no rosto de cada um dos moradores da residência que tem o céu como teto, o concreto como cama e o asfalto como quintal. A velocidade de São Paulo passa ao lado, mas não pára por aqui. O ritmo da produção também não. Embaixo deste viaduto, há seres humanos cuja busca diária é pela subsistência.

Levo um susto que me traz de volta à realidade. É um pedinte batendo em meu vidro. Ele quer esmolas. Digo que não tenho e ele se vai. Então, o sinal abre e eu acelero, afastando-me novamente da dura realidade das ruas, com a triste sensação de ter as mãos atadas. Amanhã e depois, voltarei a visitar esta casa, na qual ninguém precisa bater à porta para entrar.

Bruno Garcia

 É  cada vez mais comum ouvir nos grandes centros urbanos que a área verde está diminuindo. No entanto, cabe entender, a princípio, o conceito de fato.

Área verde urbana é toda aquela em que há predomínio da vegetação arbórea. Estão, obrigatoriamente, inseridas na cidade. Praças, jardins e parques são alguns exemplos. Espaço livre, entretanto,  tem diferente significação. Abrange um maior número de locais, pois a vegetação em questão, está situada em grandes espaços parcialmente ou integralmente implantados nos centros urbanos.

São Paulo apresenta 248.209,426 m2, deste apenas 45.258.909 m2 correspondem as áreas verdes. São 34 parques, 2785 praças e 710 áreas jardinadas. (Dados: www.prefeitura.sp.gov.br).

Apesar disso, ainda conhecemos apenas o Parque Ibirapuera, Villa Lobos, Aclimação. As praças, muitas vezes, são lugares invisíveis, que passam desapercebidos. Os canteiros, que são 759 na cidade, encontram-se em condições precárias, abandonados.

A preservação e a manutenção do espaço livre não depende só do governo, parte dele a utilização de verbas para a melhoria destas áreas. No entanto, a população é a principal responsável por elas. Não cabe apenas um cuidado da prefeitura se as pessoas não ajudarem a cuidar e continuarem com os mesmo hábitos antiverdes. Conscientização vem, primeiramente, da família e da escola, depois o governo. Não quero aqui tirar a responsabilidades dos governantes não, mas quero alertar que não são os únicos agentes com ação em uma sociedade.

LEIA o texto escrito por Humberto Maia Junior, colaborador do Estado de S. Paulo, a respeito dos impactos nas áreas verdes causados pela urbanização crescente nas cidades. Link:http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071214/not

Um Abraço – Bruno García

Carros enquadram mundo arte ou morte espetacularizada. Cultive seu olhar

Entre Cayennes, Ferraris, Lamborghinis, BMWs, Mercedes e outros veículos de mesmo calibre que costumam trafegar na zona sul de São Paulo, vi, hoje, uma Belina branca.

Foi tão rápido: olhei antes de atravessar a rua e lá vinha ela, sozinha, pelo o túnel, que me pareceu o túnel do tempo. A nostalgia foi irrefreável. Não de toda a infância, mas de um capítulo especial dela.

Versão, ano. Não sei. Para mim, só uma é classificável: Belina branca, um pai na frente, uma irmã e dois primos atrás, verão de 1980.

Desse veículo, vi o mar pela primeira vez. Éramos quatro no porta-malas, rindo e acenando para os ocupantes de outros carros. Nos loucos anos 1980, andávamos de carro sem cintos de segurança, macaqueando de um lado a outro.

Foi na descida da serra que o milagre acontece. “Olha!”, alguém ou todos gritaram. Era ele. Uma piscina sem bordas vertendo azul pelo insondável.

O espanto nos silenciara. Só a criança e os iogues, para quem o passado deixou de ser e o futuro é ficção, podem sorver todo presente, antes que ele escorra pela ampulheta da inexistência.

Nessa Belina – à noite – eu, sozinha atrás, me esparramava no banco. As constelações cabiam na tela do vidro e a lua, acelerando junto. Apesar de proibido, quem nunca fez isso deve, em lugar seguro e ao menos uma vez, fazê-lo. Deitar-se no banco e assistir. A vida revela o ritmo que tem: tudo passa, passa, passa, deixando em memória fragmentos de imagens escorridas no tempo. Foto borrada de lágrima ou mofo.

Não provoque

Provocação era fechar os olhos para a eterna novidade do mundo, como diz Caeiro. “Porque pensar é não compreender…/ O mundo não se fez para pensarmos nele/(Pensar é estar doente dos olhos)/ Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo…”.

Em pouco mais de duas décadas, as janelas do carro continuam, cada vez mais, intermediando nosso olhar para fora. Aprendizado difícil, antinarcísico, mas compensador. Ainda há natureza escondida atrás dos prédios; a cada dois dias, é descoberta no Brasil uma nova espécie de flor; o sol nasce e se põe em repetida novidade, o vento venta e a gente sente (não pensa) revelações da geografia interior.

A provocação hoje não é fechar os olhos, mas ver que coisas existem para além de nós e acreditar que esse algo se interpõe entre nós e a perfeição. Na rua, na avenida, na vida. Porque ver o outro, ou o mundo de que participamos, desperta o desejo de imediatamente querer aniquilá-lo. Vide armas no porta-luvas, mãos para o soco, palavras intérpretes da agressão. Vide, todos os dias, mortes no trânsito espetacularizadas pela mídia.

Como os carros, blindam-se corações. O preço é alto, tanto no primeiro como no segundo caso. Se você já blindou o seu, sabe do que estou falando: nada entra, nada sai. É o mesmo que estar morto. E, assim, é possível entender por que, por nada, agride-se ou se atira em um vizinho de pista.

Saudosa Belina

O Ford Belina começou a ser comercializado em 1970, com motor de 1289 cm3 de 65 cavalos e em três versões: standard, luxo e luxo especial.

As características mecânicas eram as mesmas do Corcel, isto é, tração dianteira e radiador selado. Podia atingir 140 km/h e chegava 100 km/h em 23 segundos.
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Mirna Bom Sucesso

Sabe, blogar é coisa difícil. Blogar, quer dizer, ter um blog vivo, animado, com diálogos, leitores e comentários, com posts constantes, imagens, surpresas, audiência cativa. Links. Em parte, é difícil por conta dessa necessidade de divulgação. Ou, melhor dizendo — para tirar o ranço comercial — a necessidade de fazer uma social, de se apresentar, de conhecer gente, virtualmente ou não. O mar de blogs é uma arena pública, sim — mas não é suficiente chegar lá e ter algo a dizer. É preciso falar alto, chamar a atenção dos outros, subir no palco, conseguir silêncio da platéia.

E é preciso perseverança, fôlego, resistência, continuidade. Blogar é trabalho duro. Eu sou um blogueiro frustrado porque, além de tímido, sou inconstante. Criei três blogs diferentes, um para cada tema: um “cotidiano”, um restaurantes, e agora esse. Por causa do meu trabalho fico sem tempo. Pra falar de restaurante no blog culinário eu preciso de tempo pra pensar e postar algo que faça sentido não só para mim, mas para o leitor também. E o meu blog “cotidiano” depende de inspiração e muito tempo livre para burilar as palavras. Quando a Mariana escreve no blog dela que a linguagem do blog é rápida e rasteira, ela está certa. A minha mania de repensar, destilar e revisar as palavras não funciona; faz meu blog empacar.

Eu levanto a bandeira branca, aquele que diz “eu me rendo”. Eu desisto. Um dia quem sabe eu volte a postar, e quem sabe até mesmo eu deixe de ser fresco. Até lá, meus blogs ficam submersos, criando alga, criando limo, como navios de um naufrágio perdido. Eu sigo sendo Global Supervisor de Cala e Ibéria, que é o que sei fazer, e sigo passeando um pouco mais livre pelos blogs dos outros. Lendo uns textos admiráveis, uns textos excelentes. Dando risada, me informando, entendido mais de alguns assuntos. Quem sabe a gente se cruza.

To meio dramático hoje – rs

Um Abraço – Bruno Garcia

 
 
 
 
 

 

A matéria de capa da Época de Março deste ano, fala de saídas para o congestionamento nas grandes cidades e isso me trouxe à memória o Salão do Automóvel de Tóquio, realizado no final do ano passado.

“Quem só tem martelo, só enxerga prego”, diz o velho ditado. E é o que faz a indústria automobilística, que já há várias décadas perdeu sua capacidade realmente inovadora e inventiva. 

Cá entre nós, é meio constrangedora a foto do presidente da Toyota, Katsuaki Watanabe, apresentando no dito Salão, o chamado “carro individual conceitual”.

Na minha terra isso é uma cadeira de rodas high-tech. Watanabe defende que, daqui em diante, é “preciso dirigir pelas pessoas e pelo planeta”. Acho que o Greenpeace podia mandar uma ficha de inscrição para ele.

Os protótipos dos carros individuais foram estrelas nesse Salão. Além do i-Real, que é o nome do tal carro conceitual da Toyota, foi apresentado o Pixy, pela Suzuki. Também parece com uma cadeira de rodas. Seu diferencial é que pode ser encaixado dentro de outro veículo maior. A Nissan apresentou o Pivo 2. É tão pequeno que porta, painel e direção formam um único conjunto. Carlos Goshn, presidente mundial da Renault-Nissan, comentou meio que desculpando com os repórteres que “tudo isso não quer dizer que vamos abandonar a nossa paixão por performance”. Ah, bom!

Igualmente constrangedores são os equipamentos internos para passageiros de automóveis como o mostrado na figura abaixo.

 

A Toyota anunciou que esse kit tem “sensores de relaxamento com áudio, vídeo e um difusor de aromas”. Agora sim! Vamos ter mais qualidade de vida nos engarrafamentos.

Gente, isso tudo parece uma grande piada !  Será que estamos vivendo em um mundo aceleradamente fora da realidade ? 

Até breve  – – Bruno Garcia

 

 >>Bar e restaurante Bellini

Me sinto obrigado a deixar uma dica para o final de semana, espero que aprovem.

 

Para quem acredita que um ambiente requintado e um cardápio acessível é o ideal para uma noite em São Paulo, vale conhecer o bar e restaurante Bellini. Situado na altura do número 155 da Rua Lopes Neto, Itaim, um clima aconchegante e clássico salta aos olhos de quem chega neste local, que foi eleito pela Veja São Paulo em 2007 como um dos melhores bares da cidade.

 

Decorado de forma rústica e clássica, o ambiente a luz de velas apresenta mesas e sofás de até 20 pessoas tanto interior, quanto na parte aberta da casa, onde se pode conversar com amigos e acompanhantes a céu aberto. O cardápio pode ser bastante eclético para quem sabe escolher. Os pratos, de alta gastronomia, variam entre R$ 30,00 e R$ 60,00. E há as mais diversas opções: massa, peixe, carne bovina e etc. Mas para quem não pode ou prefere não gastar muito deve optar pelo rico e variado cardápio de petiscos que tem a faixa média de preço entre R$ 15,00 e R$ 35,00. Ficam duas dicas de porções: a bruschetta clássica, extremamente saborosa que contém seis unidades, e é claro a boa e tradicional batata frita, que faz as honras da noite de qualquer barzinho.

 

Quem quiser saber mais sobre o bar e restaurante Bellini, desde o telefone de contato até as formas de pagamento, pode acessar o seguinte site: http://ig.obaoba.com.br/bellini

 

Não deixe de aproveitar o final de semana!

Bruno Garcia – Diretamente do Mundo Acelerado